Publicidade

O Campeonato Carioca está chegando e mais uma vez a expectativa é que o título fique entre Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Assim acontece desde 1966, último ano em que nenhum dos quatro deu a volta olímpica. Mas o Rio de Janeiro já teve seis grandes clubes. America e Bangu por décadas peitavam os gigantes cariocas em igualdade de condições. Mais do que isso, quando se enfrentavam era clássico e lotava o Maracanã. Uma curiosidade une as torcidas: America e Bangu foram fundados em 1904.

America e Bangu sempre fizeram grandes jogos (Foto: Arquivo Bangu)

O America foi sete vezes campeão carioca. Ganhou nas edições de 1913, 1916, 1922, 1928, 1931, 1935 e 1960. Já o Bangu foi campeão nos anos de 1933 e 1966. Mas até a década de 80 esses clubes jogavam de igual para igual com os rivais. Entretanto, a elitização do futebol brasileiro, com a formação do Clube dos 13, um novo modelo de cotas de TV e a profissioinalização cada vez maior do esporte deixaram esses clubes na memória. Assim aconteceu em outros estados, sendo a Portuguesa de São Paulo um claro exemplo dessa consequência.

Leia também:

Publicidade

MQJ Memória: Dener, o mais parecido com Pelé
Filho de peixe, relembre pais e filhos do futebol
MQJ Memória: Jorge Mendonça, o substituto de Dinamite

Na edição deste ano o America sequer conseguiu se classificar para disputar o Campeonato Carioca. Parou na Seletiva. Já o Bangu estreia na quarta-feira, enfrentando o Macaé. Mas sem grandes chances de dar a volta olímpica.

America: o segundo time de todo o carioca

America brilhou na década de 80 (Foto: Ferj)

O America é considerado o segundo time de todo torcedor carioca, tamanha a simpatia que o clube desperta. Mas por muitos anos os quatro grandes clubes do Rio tinham receio de cruzar o caminho do Diabo. Isso porque não era fácil ganhar.

Publicidade

Até hoje o América tem sua sede na Rua Capos Sales, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. O espaço está sendo reformado para a construção de um shoppoing e o clube vai funcioonar na cobertura. Mas o maior baque foi quando o estádio localizado neste endereço foi demolido para a construção da sede social.

Leia também:

MQJ Memória: O adeus a Clébson! O substituto de Jorginho
MQJ Memória: Daniel González, o uruguaio que fez história no Vasco e no Corinthians

Publicidade

Com isso o America comprou o Estádio Wolney Braune, que pertencia ao Andaraí. Isso aconteceu em 1961, um ano depois de o time ter conquistado o último Campeonato Carioca de sua história. A falta de identidade com o novo campo afundou o clube. Mas mesmo assim ainda dava para fazer grandes campanhas.

America encantou o Brasil

America foi campeão carioca em 1960 (Foto: Arquivo America)

Em 1986, por exemplo, o America foi semifinalista do Campeonato Brasileiro. Aliás, a década de 80 e fim da década de 70 viram desfilar craques com a camisa rubra. Luisinho Lemos, maior artilheiro da história do clube, e Edu Coimbra, irmão de Zico, são exemplos.

– O America sempre teve grandes times. Para mim é um orgulho muito grande poder ter feito parte da história desse clube, tanto como jogador, como treinador. Infelizmente são tempos complicados. Mas é preciso acreditar que o clube vai conseguir reagir – disse o tetracampeão Jorginho, que foi lateral-direito revelado pelo clube;

Publicidade

Leia também:

MQJ Memória: Ézio, porque super-herói é pra isso
MQJ Memória: Assis, o carrasco do Flamengo

Jorginho, por sinal, foi técnico da última grande campanha do America. Em 2006 ele conduziu o time à final da Taça Guanabara, primeiro turno do Campeonato Carioca. Mas o time foi derrotado por 3 a 1 pelo Botafogo. A torcida americana até hoje reclama da arbitragem.

America já teve Romário em suas fileiras (Foto: Arquivo America)

Publicidade

Em 2009 o America viveu um momento curioso. Rebaixado para a Segunda Divisão, viu o craque Romário abandonar a aposentadoria e voltar a jogar para tirar o time da Segundona. E O Diabo acabou ganhando a Segundona. O Baixinho cumpria assim uma promessa feita a seu pai: seu Edevair.

Bangu: O time de uma família

Bangu tinha um timaço em 1966 (Foto: Arquivo Bangu)

O Bangu começou a ganhar projeção de fato na década de 60. Embora tivesse sido campeão em 1933, foi em 1966 que começou a ter grandes times. Naquele período a família Andrade, tradicional família banguense, assumiria o clube. O seu membro mais ilustre era Castor de Andrade, símbolo do Jogo do Bicho carioca.

Leia também:

Publicidade

MQJ Memória: Mazolinha, o craque que virou pedreiro
MQJ Memória: Berg, o Anjo Louro do Botafogo

O Bangu ganharia o Campeonato Carioca de 1966 atropelando o Flamengo por 3 a 0. Mas com a Ditadura Militar reprimindo o Jogo do Bicho o Bangu teve sérios problemas nos anos 70. Mas os anos 80, com Castor de Andrade voltando ao Alvirubro, o Bangu voltou a viver dias de glória.

O Bangu chegou à fase final dos estaduais de 1983, 1984 e 1985. Neste último foi muito prejudicado pela arbitragem no jogo decisivo, quando tinha a vantagem do empate, mas perdeu de 2 a 1 para o Fluminense. No último lance do jogo o árbitro José Roberto Wright não deu um pênalti claro do zagueiro Vica no artilheiro Cláudio Adão.

Publicidade

– O árbitro disse que tinha acabado o jogo. Mas infelizmente isso não aconteceu. O Bangu sofreu muito com aquilo tudo – disse Cláudio Adão.

Leia também:

MQJ Memória: Artilheiro no Flamengo e goleiro no Palmeiras
MQJ Memória: Botafogo perdeu Clei, o lateral que morreu por engano

Bangu chegou à Libertadores

Publicidade

O ano de 1985 foi histórico para o Bangu. O clube do subúrbio do Rio de Janeiro chegou à decisão do Campeonato Brasileiro. Mas perdeu a disputa para o Coritiba nos pênaltis.

– o lance sempre volta à minha cabeça, com um sentimento de grande frustração. Trocaria tudo para converter aquele pênalti – relembra o aex-atacante Ado, que desperdiçou a cobrança decisiva.

No ano seguinte o Bangu disputou a Copa Libertadores. Mas a falta de planejamento fez o time afundar na primeira fase.

Bangu tinha Marinho, Mauro Galvão e Paulinho Criciúma (Foto: Ferj)

Leia também:

MQJ Memória: Geraldo, o craque do Flamengo marcado por uma fatalidade
MQJ Memória: Margarida, o árbitro mais alegre da história do futebol

O Bangu ainda conquistaria a Taça Rio de 1987. Mas em 1988 acabaria rebaixado no Brasileiro. Com Castor de Andrade começando a ter problemas com a Justiça, o clube viu seu mecenas se afastar. Até hoje o Bangu nunca se recuperou. Mas na memória do torcedor sempre estará aquele timaço da década de 80 que tinha nomes como Mauro Galvão, Marinho, Paulinho Criciúma e Arthurzinho, dentre outros.

Declínio incentivado pela elitização do futebol brasileiro

Marinho foi o melhor jogador do Brasileirão de 1985 (Foto: Bangu)

Bangu e America de fato são vítimas da elitização do futebol brasileiro. Apesar de boas campanhas em 1985 e 1986, ficaram de fora do Clube dos 13 e tiveram que disputar torneios paralelos em 1987. Com a perda de receita, montaram times fracos na edição de 1988, acabdo ambos rebaixados.

Leia também:

MQJ Memória: Zé Carlos, o Grandão do gol do Flamengo
MQJ Memória: Campeão mundial pelo Flamengo, Figueiredo morreu no auge da carreira 

O America chegou a procurar a Justiça contra a CBF, mas a batalha igrata nunca foi vitoriosa.

– Usaram uma canetada para tirar Bangu e America e deixar apenas quatro grandes no Rio de Janeiro. Uma triste artimanha que contou com o aval das entidades todas – lamentou Castor de Andrade pouco antes de morrer.

Castor de Andrade dava preleção no Bangu (Foto: Arquivo Bangu)

Hoje Bangu e America não são nem caricaturas dos grandes clubes que foram até a década de 80. Pior para o futebol carioca, que vê cada vez mais a desigualdade dentro de campo.

Leia também:

MQJ Memória: Polêmica no Carioca faz o futebol relembrar Eduardo Viana, o Caixa D´água
MQJ Memória: Vivinho, o gol de placa de São Januário
Nomes de animais, MQJ Memória relembra craques bichos
MQJ Memória: Carlinhos Violino, o interino acostumado a dar voltas olímpicas
MQJ Memória: Cláudio Coutinho montou o inesquecível Flamengo