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O Corinthians e o Vasco tiveram um zagueiro de fazer inveja na década de 80. Um uruguaio de estilo rígido, como os compatriotas, mas jamais sendo desleal. Sabia desarmar como poucos e sua personalidade o fazia liderar os colegas. Este era Daniel Ángel González Puga, ou simplesmente Daniel González, um zagueiro que morreu no auge de sua carreira, vítima de uma fatalidade. Mas que conseguiu deixar uma imagem vitoriosa.

Daniel González lideropu a ‘Democracia Corintiana’

Daniel González era de uma tradicional família uruguaia. Sua mãe, Dona Blanca, exigiu que o filho estudasse, pois não queria que ele virasse jogador de futebol. Na família já tinha o exemplo de um jogador do Nacional que não vingou o esperado e se sentiu frustrado. Mas quando ele deu os primeiros passos no futebol do Fénix já dava para ver que não haveria como a mãe impedir o futebol na vida de González.

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E por quatro anos ele defendeu o clube. Teve a decepção de um rebaixamento, mas liderou o retorno para a elite do futebol uruguaio. Assim chamou a atenção de outros países e se viu tendo que ntomare uma séria decisão com duas propostas embaixo do braço: atuar na Áustria ou aceitar uma proposta da Portuguesa de Desportos. Dona Blanca reclamou da distância da Europa. Mas foi o pai do jogador, Angel Gonzalez, que decretou: “Vai jogar no Brasil, onde Dario Pereyra no São Paulo e Martin Taborda no Corinthians, ambos saídos do Nacional, viraram destaques”. O garoto acatou o desejo do pai e não se arrependeu.

Daniel González integrou a ‘Democracia Corintiana’

Daniel González é o penúltimo em pé (Foto: CBF)

Por 120 mil dólares (hoje cerca de R$ 700 mil) Daniel González foi comprado pela Portuguesa. Fez 21 jogos e marcou quatro gols entre 1979 e 1981. O suficiente para o Corinthians contratá-lo no fim daquele ano.

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Foi no Corinthians que Daniel González ganhou relevância. Integrava o famoso time da “Democracia Corintiana” com nomes como o lateral-esquerdo Wladimir, o meia Zenon, o Doutor Sócrates e o artilheiro Casagrande.

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Foi fundamental, ao lado de Mauro na zaga, nas conquistas dos títulos paulistas de 1982 e 1983. Aquela altura já estava casado com a esposa Mabel. Em campo esbanjava uma raça fora do comum. Assim ganhou facilmente a idolatria dos corintianos.

– O Daniel era um guerreiro em campo. Lutava o jogo todo e isso fez muita diferença naquela conquista. Era um jogador que ganhou a cara do Corinthians e fazia bem ao grupo – lembrou no fim da década de 80 o Doutor Sócrates em uma entrevista a emissoras de rádio do Rio de Janeiro.

Daniel González foi seduzido por alta proposta do Vasco

Daniel González aceitou proposta do Vasco (Foto: Arquivo pessoal)

Após o título paulista de 1983 foi seduzido por uma proposta altíssima do Vasco. Rumou para o Rio de Janeiro avisando aos pais que em breve a família toda se mudaria para a Cidade Maravilhosa.

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O começo no Vasco foi tumultuado. O elenco estava com os salários atrasados e Daniel González liderava o plantel. Foi acusado internamente de tentar impor em São Januário o mesmo modelo da “Democracia Corintiana”. O técnico Oto Glória via o time mal em campo e decidiu apoontar um culpado: o uruguaio.

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– As coisas vão mal porque querem implantar aqui a tal democracia corintiana. Aquilo era uma anarquia, ninguém respeitava ninguém. Aqui eu sou ditador e quem não gostar que vá embora do elenco – disse Oto. Quem acabou saindo foi o treinador alguns dias depois, demitido por pressão do plantel.

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Daniel então deslanchou no Vasco. Foi um dos melhores jogadores na campanha do vice-campeonato brasileiro de 1984.

Acidente de carro tirou a vida do zagueiro

Acidente envolvendo Daniel González (Foto: Arquivo JS)

Em 1985 estava em grande fase. Mas aceitou um convite que acabaria com a sua vida. Naquele 1 de fevereiro foi jantar na casa do atacante Cláudio Adão. Um jantar entre amigos que tinha ainda o lateral-direito Edevaldo e o zagueiro Ivan. Na volta para a casa estava com a esposa Mabel quando sofreu um acidente de carro no túnel Zuzu Angel. A esposa escapou com vida. Daniel chegopu com vida ao hospital, passou por três cirurgias, mas acabou morrendo.

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O futebol brasileiro decretou luto de três dias e a rodada do Brasileirão foi adiada. No Uruguai o governo também determinou luto. Assim o futebol perdia um zagueiro que, aos 31 anos, vivia grande fase. Mas a lembrança de Daniel González segue viva no coração dos torcedores de Vasco e de Corinthians.

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