MQJ Memória: Carlinhos Violino, o eterno interino acostumado a dar voltas olímpicas

publicado em 15/08/2020 às 9:22

Em um momento que o Flamengo vem sofrendo com a troca de seu comando técnico, sentindo saudades de Jorge Jesus e tentando se adaptar a Domènec Torrent, o MQJ Memória vai recordar o mais vitorioso treinador da história do Rubro-Negro. E olha que ele tinha a fama de tapar buracos. Trata-se de Carlinhos Violino, o eterno interino acostumado a dar voltas olímpicas. Carlinhos tem grande identificação com o Flamengo, desde os tempos de jogador. Mas ganhou de vez a paixão dos flamenguistas no cargo de treinador.

Carlinhos Violino dirigiu Romário no Flamengo (Foto: Youtube)

Carlinhos fez carreira de jogador no Flamengo. Único clube que defendeu como profissional, atuando em bom nível entre 1958 e 1969. Foi campeão carioca em 1963 e 1965, além de ganhar o Torneio Rio-São Paulo de 1961.

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Injustiça na Copa de 1962

Dizem que ele foi injustiçado antes da Copa do Mundo de 1962. Isso porque esteve na lista de pré-convocados do técnico Aimoré Moreira. O treinador fez uma lista de 41 atletas, mas apenas 22 iriam para o Mundial. Carlinhos era cotado para ser o reserva de Zito. Algumas pessoas da antiga CBD, atual CBF, teriam dito a ele que o técnico quis equilibrar o número de convocados entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Assim optou por Zequinha do Palmeiras.

– Logicamente que um título mundial muda a carreira de um jogador, mas não posso reclamar de nada. Fui muito feliz profissionalmente – dizia o Violino sempre que perguntado sobre isso.

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Violino, por sinal, era um apelido que muitos acreditavam ser por conta de sua voz fina. Mas na verdade era pela classe de seu futebol, comparada ao desempenho do violino em uma orquestra de grande porte.

Carlinhos Violino ganharia notoriedade como técnico

Após uma carreira brilhante como jogador, Carlinhos foi convidado em 1983 para assumir o time de juniores do Flamengo. Ali começaria a história de um dos técnicos mais vitoriosos da história do clube. O time não vinha bem sob o comando de Antônio Lopes. Então Carlinhos assumiu interinamente durante a Copa União. Aos poucos o Flamengo foi ganhando corpo e a diretoria decidiu que ele iria até o fim.

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De maneira surpreendente o Flamengo se classificou como quarto colocado para as semifinais. Ia duelar contra o então invicto e favoritíssimo Galo. No jogo de ida, no Maracanã, o Rubro-Negro ganhou de 1 a 0. A expectativa era de que na volta o Galo atropelaria. Mas com grande atuação de Renato Gaúcho os flamenguistas ganharam por 3 a 2 e foram para a histórica final. O duelo decisivo contra o Internacional também tinha favoritismo do rival. Mas o Flamengo ganhou por 1 a 0 no Maracanã, com um gol de Bebeto, e foi campeão.

Carlinhos ainda ficou até o Campeonato Carioca de 1988, mas voltou a ser assistente após as derrotas para o Vasco.

Título brasileiro de 1992 marcaria fim da ‘era interino’

Quatro anos depois, em 1991, voltou a ser alçado ao cargo de treinador interino. O Flamengo foi finalista do Estadual e campeão em cima do Fluminense. Mas a sua maior conquista viria em 1992. O Flamengo vinha muito mal no Campeonato Brasileiro e tudo indicava que sequer passaria da primeira fase.

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Uma arrancada surpreendente levou o time para a decisão contra o favorito Botafogo. O Rubro-Negro de Djalminha, Gaúcho e Paulo Nunes foi campeão.

– Ali foi uma arrancada histórica. Davam o Flamengo como morto e nós conseguimos uma reação histórica. A torcida comprou o barulho e esteve ao nosso lado o tempo todo. Ela ajudou muito naquele título – disse Carlinhos em uma entrevista a rádios cariocas.

Carlinhos seria ainda campeão sul-americano

Carlinhos Violino ganhou busto na Gávea (Foto: Flamengo/Divulgação)

Depois daquele título Carlinhos passou a ser tratado como técnico principal, sem estigma de interino. Ficou no clube até 1993, sendo demitido. Mas sua história como técnico do Flamengo continuaria. Em 1999 foi novamente convidado a dirigir o time. E foi para ganhar tudo. Ganhou o título carioca nos anos de 1999 e 2000, além da Copa Mercosul de 1999.

– A Copa Mercosul também foi marcante, pois muitas forças da América do Sul disputavam e a gente conseguiu se impor. Também foi um título que poucos acreditavam – disse Carlinhos.

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No ano 2000, ao ser dispensado do Flamengo, decidiu encerrar a carreira de técnico.

Aos poucos foi lutando contra problemas de saúde. O excesso de ácido úrico lhe custou a amputação de um dedo. Passou a ser ainda mais discreto e a fugir de entrevistas. Morreu em 2015 vítima de problemas ciorculatórios. Mas vai viver sempre no coração dos flamenguistas.

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