MQJ Memória: Botafogo perdeu Clei, o lateral que morreu por engano

publicado em 11/10/2020 às 10:30

O MQJ Memória de hoje vai relembrar a história de um personagem do Botafogo que foi assunto por muito tempo na década de 90. Trata-se do lateral-esquerdo Clei, um dos promissores jogadores revelados nas categorias de base do clube e que conquistou o título da Copa Conmebol pelo Glorioso. Aos 22 anos ele foi assassinado por engano em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Na época em que morreu não estava em grande fase, mas era tratado como um promissor lateral.

Clei tinha orgulho de vestir a camisa do Botafogo (Foto: Youtube)

Clei iniciou a sua vida no esporte jogando futebol de salão no Ideal Esporte Clube, que ficava em Nilópolis. Foi lá que chamou a atenção do futsal do Vasco, seu clube de coração, que o levou para São Januário. A distância do clube fez com que optasse, ao ser chamado pelo Botafogo, para tentar a sorte no futebol de campo.

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Desde os primeiros momentos no futebol do Botafogo Clei mostrou que tinha talento. Habilidoso, era muito rápido e não tinha medo de tentar o drible. Além disso finalizava com grande habilidade. Apesar de ter o apoio como seu forte, a boa condição física fazia com que ele tivesse capacidade de recomposição, sem comprometer o sistema defensivo.

– O Clei é um jogador que tem uma força física muito grande, muito habilidoso. Sabe apoiar e sem descuidar da defesa – analisou a Enciclopédia do futebol, Nilton Santos, em entrevista a emissoras de rádio do Rio de Janeiro pouco depois da conquista do título da Copa Conmebol.

Clei foi importante na conquista do título do Botafogo

Clei foi titular na conquista da Copa Conmebol (Foto: Botafogo)

Em 1992 Clei ganhou a oportunidade de ser lançado aos profissionais. O então presidente Emil Pinheiro deixou o Botafogo levando a maior parte doe elenco para o America. O técnico Edinho então teve que se virar com o que tinha em mãos. No Campeonato Carioca Clei estreou na derrota de 1 a 0 para o Madureira. Ao todo ele disputou 45 partidas e marcou um gol com a camisa alvinegra, o da vitória de 1 a 0 sobre o Barra da Tijuca em um triangular amistoso que contava com o Nacional da Ilha da Madeira de Portugal.

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Técnico de Clei no Botafogo, Torres via futuro

Clei fez a maior parte dos jogos entre 1992 e 1994, mas foram anos complicados. O Botafogo estava se reerguendo após a saída de Emil Pinheiro. Mas em 1993 o jogador fez parte de uma das campanhas mais bonitas da história do clube. Atuou em cinco jogos na disputa da Copa Conmebol e foi determinante na campanha.

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– A Copa Conmebol foi uma competição mata-mata e o Botafogo tinha um time muito jovem. Jogamos contra elencos mais experientes como o Atlético Mineiro e o Peñarol na final. O Clei servia como uma válvula de escape, como desafogo, pois tinha bom passe, velocidade e sabia sair jogando. Ele foi muito importante naquela campanha e tinha tudo para se tornar um lateral de Seleção Brasileira. Jogava moderno, à frente do seu tempo. Lamento muito o que aconteceu – lamentou Carlos Alberto Torres, capitão do tri e técnico do time que ganhou a Conmebol. O Capita deu essa declaração na comemoração dos dez anos do título do torneio.

Clei sonhava com a chegada de Joel Santana

Clei queria trabalhar com Joel Santana (Foto: CBF)

Na reta final de 1996 Clei ainda era jogador do Botafogo. Mas tinha sido emprestado ao Madureira. Com a chegada de Carlos Augusto Montenegro à presidência o clube investiu em nomes mais experientes e foi campeão brasileiro em 1995. Apesar disso ainda tinha esperanças de retomar a carreira no clube.

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No dia 6 de dezembro Clei acordou e ligou o rádio. Ouviu uma notícia que poderia mudar a sua vida: “Joel Santana é o novo técnico do Botafogo”. O garoto deu um pulo de alegria em casa e gritou para todos que a vida ali mudaria. Simples, Joel era primo de seu Irineu, pai de Clei, e por várias vezes tinha elogiado o futebol do garoto.

Clei morreu por engano

Habilidoso, Clei começou nas categorias de base do Botafogo (Foto: Arquivo pessoal)

Clei não teve dúvidas e foi até a praia. Passou o dia curtindo o sol e fazendo planos. Em seguida tomou banho e foi para a casa da noiva, onde permaneceu até a madrugada. No caminho para a casa parou no bar de propriedade de sua família para fazer um lanche. Comeu um sanduíche e tomou um refrigerante rapidamente. Já estava indo embora quando seu primo, Wander, lhe pediu que esperasse. Estava sem carro e queria uma carona do primo, que também era vizinho.

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Assim Clei permaneceu no bar mais um tempo. Wander era segurança de baile funk na região. Assim tinha muitos inimigos. Pouco depois de deixar o bar o carro de Clei foi cercado por homens armados que atiraram sem piedade para matar Wander. Mas como Clei estava junto acabaram matando também o jogador como queima de arquivo.

Polícia nunca descobriu os assassinos de Clei

O caso ganhou as manchetes do jornal na época. A Polícia nunca descobriu os assassinos, mas na região fala-se que um dos três homens que participaram da vingança foi morto pouco depois, em represália à morte de Clei.

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De uma forma triste Clei morreu no mesmo dia que comemorava a possibilidade de fazer história com a camisa do Botafogo. Mas na verdade seu nome já está na história do clube como o lateral-esquerdo titular da conquista do título internacional mais importante da história do Botafogo. Assim será lembrado sempre pelos torcedores.

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