Publicidade

Toda semana o MQJ vai relembrar um craque que fez história no futebol brasileiro, mas que está longe de ser os favoritos da mídia quando se fala de passado. A série será aberta por Eloi, um habilidoso meia que brilhou nos campos do Brasil e da Europa nas décadas de 70 e 80. Um talento nato. Sabia como poucos finalizar e lançar, tendo ainda a facilidade de partir para cima do adversário em busca dos dribles.

Eloi tinha um talento acima da média (Foto: Arquivo pessoal)

Eloi foi revelado nas categorias de base do modesto Andradina, da cidade paulista de Andradina. Porém, foi entre 1975 e 1977 que foi observado defendendo a camisa do Juventus da Rua Javari. A Portuguesa do craque Enéas o contratou em 1978 e no Canindé viveu duas temporadas. Porém, acabou sofrendo com os constantes atrasos salariais e junto com mais seis jogadores deixou a Lusa rumo a Inter de Limeira.

– Foi uma época boa, pois a Inter de Limeira tinha acabado de subir de divisão e montou um timaço. Eu treinava e depois ia almoçar em casa. Fui muito feliz ali – recordou Eloi.

Encontro com Pelé ficou na memória

Eloi brilhou com a camisa do Santos (Foto: Arquivo JS)

Publicidade

As boas atuações pela Inter de Limeira chamaram a atenção do Santos. O jogador então desembarcou na Vila Belmiro em 1981. Foi lá que viveu uma das maiores emoções do futebol ao ver Pelé treinando no campo santista. Do Rei do Futebol ouviu um elogio que nunca mais esqueceu.

– Eu vi o Pelé pela primeira vez no Santos e isso me deixou fora de mim. Era impressionante como a personalidade dele marcou quem vive e quem gosta do futebol. Nos meus sonhos de criança eu jamais imaginaria que estaria frente a frente com ele. Quando ele me viu mandou essa: “Eloi, você era o craque que eu queria ver no Santos”. Pronto, demorei muito para cair a ficha – disse Eloi.

Pelo Santos disputou o Mundialito de 1981, tendo uma atuação de gala contra o Milan. O Rubro-Negro chegou a tentar a sua contratação, porém, esbarrou em uma alta pedida financeira por parte do Peixe.

Itália chegou pelas mãos do Genoa

Publicidade

Eloi não gostou muito da situação. No ano seguinte passou pelo Cruzeiro e rapidamente acertou com o America do Rio de Janeiro. No Diabo conquistou o Torneio dos Campeões de 1982 e chamou a atenção do Vasco, atuando com Roberto Dinamite. Na Colina foi bem e enfim conseguiu realizar o desejo de ir para o futebol italiano. Porém, para defender o modesto Genoa.

– O Genoa era um clube sem a estrutura dos grandes. Então não dava muito para desenvolver. Fui em uma época dourtada lá, com Zico, Sócrates, com o Cerezo, Falcão, enfim, uma época dourada para os brasileiros na Itália. Mas o Genoa tinha pouca estrutura naquela época. Porém, aprendi muito a questão da obediência tática. Lá isso sempre foi muito levado a sério. O jogador tinha que saber marcar, se posicionar – disse Eloi.

Botafogo marcou retomada da carreira

Após dois anos na Itália, Eloi retornou ao Brasil contratado pelo Botafogo. Atuou um ano no Glorioso e formou uma bela dupla de meio-de-campo com Alemão. Tanto que chamou a atenção do Porto e estava decretada a volta para a Europa. No Dragão atuou com Casagrande e conquistou o Campeonato Português, a Champions League e o Mundial de Clubes da Fifa, estes dois últimos títulos em 1987.

Publicidade

– No Porto era diferente, pois havia uma grande estrutura. O craque era o Paulo Futre. Era um grande time e ganhei tudo lá – disse Eloi.

Eloi pelo Ceará na final da Copa do Brasil (Foto: Arquivo JS)

Após uma passagem rápida pelo Boavista, deixou Portugal para jogar no Fluminense. Em seguida passou pelo Campo Grande, do Rio de Janeiro, onde atuou com Roberto Dinamite. O último grande momento da carreira de Eloi foi no Ceará, onde liderou o time que foi finalista da Copa do Brasil, sendo derrotado pelo Grêmio. Encerrou a carreira no Nacional do Amazonas.

Eloi hoje tem 65 anos e mora no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Mas ainda bate a sua bolinha em peladas com ex-jogadores e na praia. Sempre com o respeito de quem viu aquele craque de futebol ousado brilhar nos campos do mundo.

Publicidade

Leia também:

Ídolos em 2010? Relembre quem fazia sucesso há dez anos

Do goleiro ao ponta: os estrangeiros que marcaram o Fluminense