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O MQJ Memória de hoje começa a abordar a conquista do tricampeonato mundial de 1970, que completa 50 anos no próximo domingo, dia 21. Como todo título mundial começa com a escolha do treinador e dos convocados, vamos relembrar o que aconteceu nos meses que antecederam ao Mundial. O técnico durante as Eliminatórias era João Saldanha, um polêmico homem de opinião forte, mas que fez um grande trabalho. O Brasil ganhou os seis jogos do torneio e avançou sem sustos para o Mundial. Entretanto, entre o fim das Eliminatórias e a estreia na Copa contra a Tchecoslováquia, o então presidente da CBD (atual CBF), João Havelange, demitiu toda a comissão técnica e contratou Zagallo. Assim ficou a dúvida: Zagallo ou João Saldanha? Talvez tenha sido a escolha que definiu o título de 1970

Poucos se lembram que Zagallo não era a primeira opção após a saída de Saldanha. Dino Sani era o preferido, mas não aceitou. Assim o Velho Lobo assumiu o cargo, credenciado pelo bom trabalho à frente do Botafogo. O desafio era grande, pois Saldanha tinha anunciado os convocados para a Copa com grande antecedência, dizendo que se tratava fas “Feras do Saldanha”. Mas o Velho Lobo refez a lista.

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Até hoje Zagallo convive com uma injusta acusação de que ele apenas deu sequência ao bom trabalho de João Saldanha. Que o antigo treinador tinha montado o time. Entretanto, isso não é verdade e os dados abaixo comprovam.

Pelé não jogaria a Copa do Mundo com 1970

O principal argumento para mostrar que o Brasil teve sim o dedo de Zagallo na conquista da Copa do Mundo de 1970 é a presença de Pelé no time. João Saldanha vinha se recusando a convocar o jogador, mesmo ele tendo sido determinante na conquista da vaga durante as Eliminatórias. Isso porque o Atléta do Século XX estava mal fisicamente e ainda existia rumores de que ele tinha sérios problemas de visão.

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– Não dava para pensar em uma Copa do Mundo naquele momento sem o Pelé. E isso ficou comprovado ao longo de todo o Mundial com o seu grande desempenho – diz Zagallo toda vez que o assunto vem à tona.

Zagallo, por sinal, teve a humildade de mudar suas convicções antes do Mundial. Isso porque ele pregava que Tostão e Pelé não poderiam atuar juntos taticamente falando. Entretanto, encontrou uma maneira de escalar os melhores.

Zagallo encontrou espaço para todos os camisas 10

Durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo João Saldanha escalava a seguinte escalação: Cláudio, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo; Piazza e Gerson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu. Zagallo então preferiu fazer algumas alterações. Para escalar o time com vários camisas 10 de seus times o técnico teve que fazer mudanças. A principal delas taticamente foi recuar Piazza para a zaga e abrir espaço para Clodoaldo entrar no meio-de-campo. O volante santista, mesmo habilidoso, conseguiu se sacrificar na marcação, ao lado de um Gérson que também jogava mais recuado.

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Djalma Dias e Joel perderam espaço na zaga e Piazza passou a ter a companhia de Brito. Os dois formavam um paredão auxiliado por Clodoaldo no primeiro combate. Carlos Alberto Torres e Marco Antônio, depois Everaldo, seguravam o apoio nas laterais, indo apenas na boa.

Zagallo ao lado de Rivelino na Copa do Mundo de 1970 (Foto: CBF)

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Tudo isso permitia que Rivelino, que ganhou a vaga de Edu, Jairzinho, Tostão e Pelé brilhassem infernizando as defesas rivais.

Brasil chegou ao Mundial cercado de desconfianças

A Seleção Brasileira chegou ao Mundial cercada de desconfiança por conta de alguns maus resultados. O exemplo disso foi um empate com o Bangu no modesto estádio de Moça Bonita pouco antes de João Saldanha ser demitido.

Muitos temiam que a Seleção Brasileira repetisse oi fraco desempenho do Mundial de 1966, quando foi eliminada na primeira fase de maneira patética.

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– Existia a desconfiança, mas a gente sabia que a qualidade daquele grupo era muito grande. O Brasil tinha uma capacidade ofensiva que poucos na história conseguiram reunir. Isso fez aquela Seleção Brasileira de setenta fora do comum – lembrou em certa ocasião o goleiro Félix.

Zagallo mexeu no time de João Saldanha (Foto: CBF)

Félix, por sinal, disputou posição com Leão, então no Palmeiras, e ganhou a vaga. Cláudio, o goleiro que era titular com Saldanha, sequer foi para a Copa do Mundo. Ado, jogador do Corinthians, completou o trio de convocados. Féliz defendia o Fluminense.

Dadá foi alvo da polêmica: Zagallo ou João Saldanha?

A lista de de convocados para este Mundial teve além desses três goleiros, os defensores Brito (Flamengo), Piazza (Cruzeiro) Carlos Alberto Torres (Santos), Marco Antônio (Fluminense), Baldocchi (Palmeiras), Fontana (Cruzeiro), Everaldo (Grêmio), Joel (Santos) e Zé Maria (Portuguesa); os meias Clodoaldo (Santos), Gérson (São Paulo), Rivelino (Fluminense), Paulo César Caju (Botafogo); e os atacantes Pelé (Santos), Jairzinho (Botafogo), Tostão (Cruzeiro), Edu (Santos), Roberto Miranda (Botafogo) e Dadá Maravilha (Atlético-MG).

Jairzinho, Rivelino, Tostão, Pelé e Paulo César Caju eram alguns dos astros (Foto: CBF)

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Este último nome, por sinal, foi alvo de uma polêmica. Se dizia que João Saldanha foi demitido porque não quis convocar o jogador do Atlético Mineiro mesmo com o pedido Emílio Garrastazu Médici. Vale lembrar que o Brasil vivia sob o regime militar. Entretanto, na CBD a versão era a incompatibilidade de Saldanha com dirigentes e até mesmo com outros membros da comissão técnica.

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Se o general mais do que pediu, exigiu Dadá, ninguém nunca vai saber. Mas o certo é que Zagallo conseguiu contornar todos os dramas de João Saldanha e fez uma Seleção Brasileira desacreditada, mas que era recheada de talentos, fazer história no México. Mas essa história o MQJ Memória termina no próximo domingo.