Futebol Brasileiro

Cronistas de Mato Grosso podem ir à Justiça contra CBF

Cronistas terão de trabalhar das arquibancadas (Divulgação)

A Associação Mato-grossense de Cronistas Esportivos (Amace) pode acionar judicialmente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A entidade, filiada à Associação Brasileira dos Cronistas Esportivos (Abrace), é responsável pelo credenciamento dos profissionais de imprensa esportiva.

Cronistas terão de trabalhar das arquibancadas (Divulgação)

A CBF divulgou na última sexta (24), o documento chamado de ‘Diretriz Técnica Operacional’. E a Amace alega que a Confederação ‘impediu’ os profissionais de exercerem a profissão nas competições nacionais realizadas nos estádios.

– O documento da CBF é uma afronta, está cerceando o direito de repórteres, narradores e comentaristas, ocuparem seus postos de trabalho nos estádios -, condena Orlando de Oliveira Antunes, presidente da associação estadual de Mato Grosso.

A petição da Amace deve ser protocolada no Rio de Janeiro, contra a CBF. Ela se baseia no fato de que “as restrições não levaram em conta o pequeno número de emissoras de rádio locais que transmitem as competições, e que a Arena Pantanal possui o terceiro piso isolado, apenas para a imprensa esportiva, com cabines em separado”.

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Transmissão das arquibancadas

Ainda segundo o documento, “não há condições técnicas de operar os equipamentos de transmissão nas arquibancadas, onde não há energia elétrica, internet ou cabeamentos”, diz a Amace. A entidade se mostra contrária inclusive à exigência de manter os repórteres longe do campo de jogo.

– A distância entre os repórteres, sempre posicionados atrás dos gols e os atletas em campo é superior a 10 metros. Deste ponto os profissionais tem melhor visão para relatar as jogadas ao vivo. A exigência de manter os profissionais nas arquibancadas prejudica a qualidade técnica e operacional da transmissão -, pontua Antunes.

A Amace é representada pelo advogado Ussiel Tavares, que já presidiu o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD).

Não bastassem esses argumentos a Amace cita a crise financeira que se abateu sobre a categoria. O setor perdeu dezenas de postos de trabalho no estado e centenas no Pais, devido a pandemia.

– Não estamos brigando apenas pelos profissionais de Mato Grosso, mas por todos os colegas do País, para continuarmos informando com precisão e isenção os ouvintes/torcedores, respeitando as normas de biossegurança exigidas pelas autoridades sanitárias – disse o presidente.

Sucesso em ação parecida no Paraná

Antunes ressalta que no Paraná, entidades do setor obtiveram êxito em ação semelhante. Lá, a ação foi movida pela Associação das Emissoras de Rádio e Televisão (AERP) e pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão (SERT-PR). A Federação Paranaense de Futebol (FPF) havia liberado apenas os funcionários da Dazn, emissora que transmite as partidas via streaming para transmissão, vetando todos os demais profissionais.

Entre os argumentos, a juíza Carla Melissa Martins Tria, da 7ª Vara Cível de Curitiba, afirmou que “impossibilitar que os profissionais acessem os estádios e realizem a transmissão sonora é, portanto, chancelar a exclusão social de uma massa composta por milhares de ouvintes, torcedores ou não” e ‘o rádio exerce um papel de inegável’.

O Mato Grosso tem um representante na Série B do Campeonato Brasileiro, o Cuiabá. A estreia da equipe está prevista para o dia 8 de agosto, na Arena pantanal, contra o Brasil de Pelotas-RS.

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