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Por que o Flamengo não é mais o mesmo? Torcida, Jesus, diretoria

Flamengo campeão da Supercopa do Brasil (Foto: Alexandre Vidal/CRF)

Sensação da temporada em 2019, o Flamengo campeão Brasileiro e da Libertadores começou o ano embalado. Em dois meses, a equipe principal conquistou três títulos, venceu 11 jogos e empatou um. Com um futebol vistoso e muitos gols, encheu os estádios e parecia imbatível em campo. Após mais de 90 dias sem entrar em campo, parece que o Flamengo não é mais o mesmo.

Flamengo campeão da Supercopa do Brasil (Foto: Alexandre Vidal/CRF)

O time que encantou a todos com as grandes vitórias sobre Athletico Paranaense, na Supercopa do Brasil, e Independiente del Valle-EQU, na Recopa Sul-Americana, está muito distante deste que se vê agora nas finais do Campeonato Carioca.

Desde o retorno do futebol na partida contra o Bangu, já se podia notar uma certa autossuficiência na equipe. O prazer de jogar não parece o mesmo. Apesar de tentar executar o mesmo esquema de jogo, ele parece burocrático.

A situação ficou mais evidente nas últimas duas partidas, contra o Fluminense. Na final da Taça Rio e no jogo de ida da final do Carioca, foi clara a maior ‘pegada’ do Tricolor.

Mas se o elenco é o mesmo, o que mudou? O MAIS QUE UM JOGO aponta três fatores que podem estar causando esta situação.

A falta da torcida

Maracanã mais uma vez lotado (Foto: Instagram Flamengo)

O Flamengo é o grande time da massa. Acostumado a dar espetáculos para um estádio cheio de rubro-negros, as arquibancadas vazias fazem muita diferença. A identificação do time do Flamengo com sua torcida é histórica. O calor da massa é como uma chama que queima dentro de cada atleta, e o empurra a dar o máximo em busca da vitória. Entrar para jogar num Maracanã vazio muda muita coisa.

O carinho da torcida e as grandes emoções dos jogos fazem com que os problemas extra campo pareçam menores. O que nos leva aos próximos dois fatores.

A novela Jorge Jesus

Jorge Jesus (Foto: Divulgação)

O técnico Jorge Jesus foi o grande maestro do sucesso da equipe desde o ano passado. O Mister se encantou com o clube, com os jogadores e com a torcida. Foi elevado a um status inédito em sua vida profissional, e mesmo quando cumpria a quarentena em Portugal mantinha constante contato com a Nação.

Retornou empolgado para retomar os treinos e após semanas de negociação, renovou seu vínculo com o clube por mais um ano. Tudo estava em paz. Pelo menos é o que parecia.

Entretanto, a rotina de treinos sem jogos, a distância da família e dos amigos e a frieza das partidas num Maracanã vazio estão sendo um peso para Jesus. E seu comportamento contido na beira do campo parece mostrar isso.

Para piorar a situação, o Benfica decidiu tentar sua contratação para o lugar do demitido Bruno Lage. Em ano de eleições no clube português, o presidente Luís Felipe Vieira quer usar o Mister como trunfo político.

O assunto tem sido amplamente explorado pela imprensa portuguesa, e a cada dia surgem novas informações sobre valores de salários, dinheiro para investir em contratações e até nomes de jogadores do Flamengo que seriam levados por Jesus.

A postura de Jesus tem sido de manter absoluto silêncio sobre o assunto. Mas se não admite estar balançado, também não nega. Assim, as especulações continuam rolando soltas.

Trapalhadas da diretoria

Bap (Foto: Divulgação)

Nos últimos meses, a diretoria do Flamengo ganhou uma projeção na mídia que, vamos dizer, passou do ponto. O presidente Rodolfo Landim liderou o processo de retorno do futebol no Rio de Janeiro, e enfrentou muitas críticas por isso. Mas a competência dos profissionais envolvidos e o sucesso dos protocolos de segurança contra a Covid-19 acabaram dando uma certa razão ao dirigente.

A disputa contra a Globo pelos direitos de transmissão também fez a diretoria ganhar pontos, apesar de causar incômodo a alguns pelo bom relacionamento com o presidente Jair Bolsonaro.

A primeira transmissão pelo seu canal no Youtube, a FlaTV, no jogo contra o Boavista, foi um sucesso. Aí veio a decisão de usar um aplicativo e cobrar pelo jogo seguinte, a semifinal contra o Volta Redonda. A torcida, que havia comprado a briga contra a Globo, não gostou e a gritaria foi geral.

Na final da Taça Rio, o Fluminense foi sorteado como mandante. Em vez de aceitar a situação, a diretoria tentou conseguir o direito de transmitir o jogo na Justiça Desportiva. Não pegou bem.

Em paralelo a tudo isso, o VP de relações externas, o Bap, faz declarações infelizes sobre o ex-técnico Abel Braga. O episódio causou mais um desconforto desnecessário e muita exposição negativa na mídia e nas redes sociais.

Paz, estabilidade e torcida

A situação do Flamengo, que até poucos dias parecia o grande papão de 2020, agora está numa encruzilhada. A final do Carioca está em aberto e o Fluminense tem chances reais de ser o campeão. Isso por si só já será um grande golpe no Rubro-Negro. Se na sequência Jorge Jesus se despedir, o clube entrará no segundo semestre em crise.

Para voltar a ser o Flamengo que esperamos ver em campo, o time precisa de paz, estabilidade e, principalmente, do torcedor.

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