Publicidade

O desequilíbrio financeiro na divisão de cotas de direitos de transmissão das competições de futebol no Brasil vinha caminhando para um abismo, com Flamengo e Corinthians recebendo uma quantia muito superior a dos demais. Esse processo ganhou o nome de “Espanholização” por conta de um fracassado modelo usado em anos anteriores na Espanha e que levou o país a bipolarização entre Barcelona e Real Madrid. Hoje os espanhóis adotam um modelo diferente e bem mais equilibrado. Não por acaso, o Atlético de Madrid foi campeão nacional há dois anos e o Sevilla briga pelo caneco na atual temporada.

No Brasil a situação é diferente da Espanha e a tradição dos grandes clubes começou a falar mais alto e bloquear os planos da Globo. Alguns clubes, como Atlético-PR, Coritiba, Palmeiras, Santos e Bahia fecharam contrato com o grupo Esporte Interativo para transmissões em TVs fechadas. Um golpe no SporTV. A Rede Record também entrou no circuito e se insinuou para outras equipes, ameaçando o domínio global na TV aberta.

Esporte Interativo começou a fazer frente ao grupo Globo (Foto: Arte) Esporte Interativo começou a fazer frente ao grupo Globo (Foto: Arte)

Também se passou a questionar, por exemplo, a audiência como um fator importante nesta divisão. A gota d´água aconteceu na fase preliminar da Libertadores, quando os jogos do Botafogo, no quarto escalão da divisão de cotas, registraram picos campeões de audiência na temporada. Números capazes de deixar com inveja a Nação ou a Fiel.

Publicidade

Por fim, Atlético-PR e Coritiba anunciaram a transmissão do clássico entre eles apenas pelo Youtube e sequer cederam os gols do jogo ao grupo Globo, o que revoltou a principal emissora do país. Os globais provavam do próprio veneno.

A Espanholização poderia levar o Brasil a ter apenas dois grandes clubes (Foto: Divulgação) A Espanholização poderia levar o Brasil a ter apenas dois grandes clubes (Foto: Divulgação)

Diante de tantas evidências, no último sábado a Rede Globo se reuniu com 21 clubes para oferecer uma nova divisão, que valeria a partir de 2019, quando um novo ciclo começa. O atual contrato vale até 2018. O novo modelo levaria em consideração a seguinte divisão: 40% da receita toral dividida igualmente entre os clubes // 30% dividida pelo número de jogos transmitidos de cada equipe // 30% distribuídos conforme a performance esportiva no ano anterior.

Nos próximos dias o assunto deve evoluir e uma divisão mais justa deverá melhorar consideravelmente o nível do Brasileirão.