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O futebol carioca teve uma semana de tristeza. Tia Ruth partiu aos 96 anos. Ela era torcedora símbolo do América e um exemplo de paixão ao clube da Zona Norte do Rio de Janeiro. Mesmo nos anos mais complicados da história do Diabo, ela nunca deixou de incentivar os atletas americanos.

Tia Ruth passava dos limites da representação da torcida do América. Assim ela simbolizava a paz nos estádios. Quando ela chegava ao local do jogo sempre levava flores para oferecer aos torcedores rivais no sentimento de espalhar a boa convivência. Assim dava seu exemplo. Além disso passava um recado que poucos seguem infelizmente.

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Mas não era apenas isso que Tia Ruth distribuía. Ela demonstrava carinho aos jogadores. Quando o América atuava em casa ela sempre conseguia dar um jeito de ingressar no gramado para cumprimentar os atletas após as partidas. Isso independentemente do resultado.

Tia Ruth é símbolo de amor ao América. Mas a perdemos esta semana (Foto: America)

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Tia Ruth dizia que eles eram seus “queridinhos”. Mas isso tinha um motivo.

– Eles são meus queridinhos e o amor ao América vai muito além do resultado de um jogo. É algo muito maior – disse ela em 2006, após incentivar o time na final da Taça Guanabara. Naquela ocasião os americanos perderam de 3 a 1, de virada.

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Santa Cruz era a cara da geral

Santa Cruz é a cara da geral. Mas a geral infelizmente é memória. Entretanto a paixão continua (Foto: Flamengo)

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Após a morte de Tia Ruth a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) emitiu um comunicado mostrando o que ela representa para o futebol carioca: “A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro lamenta o falecimento da torcedora símbolo do America, tia Ruth. Exemplo de amor ao clube”.

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Aos 72 anos outro torcedor que é um símbolo do futebol carioca é Santa Cruz. A imagem dele com o radinho de pilha no ouvido na geral do Maracanã em jogos do Flamengo transmitia paixão. Algo que nem o fim do setor conseguiu apagar.

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– Eu posso dizer que a minha vida sempre foi na geral do Maracanã. Ali sempre foi muita alegria e uma época gostosa do futebol carioca – lembra Santa Cruz toda vez que é abordado por alguma emissora de televisão. Mas infelizemente a geral é passado.

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O Flamengo tem outros símbolos ao longo de sua história. Anjinho, o Marcelo Nuba, passou a ser filmado por várias vezes vestido de anjo. O curioso é que isso virou uma tradição em um Fla-Flu onde o torcedor foi ao Maracanã uniformizado com a sua fantasia após brincar em um bloco de Carnaval. Não tinha tido tempo de trocar de roupa. Mas como deu sorte e o Rubreo-Negro ganhou por 2 a 1, a partir daí o Anjinho ganhou forma. Assim começou uma história de paixão. Além disso um personagem fora do comum ganhou corpo.

Dulce Rosalina quase fez Vasco não entrar em campo

Dulce Rosalina liderou a TOV. Assim fez história. Mas com polêmica  (Foto: Vasco)

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Quem costuma andar nas ruas do Rio de Janeiro e vê um carro todo uniformizado de Fluminense já sabe que o dono é Desiree Rogério. Ele costuma aparecer nos jogos do clube vestido dos pés a cabeça e muitas vezes é chamado pelos colegas de “Palhaço das Multidões”.

– Fiz muita coisa para ver os jogos do Fluminense. É uma grande paixão – disse ele.

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Se o Fluminense tem o palhaço das multidões, o Vasco pode se orgulhar de ter a primeira mulher chefe de torcida organizada do Brasil. Em 1956, quando tinha apenas 22 anos, Dulce Rosalina liderava a Torcida Organizada do Vasco (TOV).

– Era uma época incrível no futebol e a paixão apenas aumentou. Nada impediu que essa paixão se tornasse maior a cada dia – recordou ela pouco antes de morrer, em 2004.

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Dulce Rosalina era tão importante no Vasco que quase fez o time se recusar a entrar em campo para um clássico contra o Flamengo no Maracanã. Ao saber que ela havia sido detida por tentar entrar no estádio com papel picado, os atletas avisaram ao comandante da Polícia Militar que só jogariam se ela fosse solta. Assim os policiais atenderam um pedido dos atletas. Mas o caso entrou para a história.

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– Os policiais eram flamenguistas – garantia ele sempre que lembrava do episódio.

Teve até muleta no gramado. Mas como assim?

Russão liderou a Folgada. Mas passava do ponto (Arquivo pessoal)

Tão polêmica como Dulce Rosalina era Russão, que liderou a Torcida Folgada do Botafogo por três décadas. Era tão apaixonado que protagonizou episódios bizarros, como atirar a muleta de um deficiente físico em campo em um duelo em Marechal Hermes.

– O Botafogo é mais que uma paixão. Assim não me imagino sem o clube – dizia Russão, que morreu aos 62 anos em 2012.

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Fechando a lista de ilustres torcedores de clubes cariocas aparece Rubem Melido, que morreu em 2018 aos 88 anos. Ele apoiava a bandinha do clube e lutava apoiando inclusive os jogadores em várias ocasiões.

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