Futebol Internacional

Novela turca: técnico pede demissão, presidente manda ficar e ele volta ao treino dois dias depois

İsmail Kartal comanda treino do Fenerbahçe após ter pedido demissão do clube
İsmail Kartal voltou a comandar o Fenerbahçe neste sábado após ter anunciado sua saída do clube – Foto: Fenerbahçe/Divulgação

Pedir demissão normalmente encerra uma relação de trabalho. No Fenerbahçe, porém, nem isso foi suficiente para um treinador deixar o cargo.

İsmail Kartal anunciou publicamente que estava saindo do clube depois do empate por 1 a 1 com a Roma, pela Champions League. Disse que havia tomado sua decisão e deu a entender que aquele seria um adeus definitivo.

Poucos minutos depois, o presidente Aziz Yildirim apareceu diante dos jornalistas com uma interpretação completamente diferente da situação: a demissão não estava aceita e Kartal continuaria como treinador.

O episódio ainda ganharia novos capítulos. O técnico não participou da atividade seguinte, o clube precisou divulgar um comunicado garantindo sua permanência e a novela terminou com a volta de Kartal ao trabalho.

Uma sequência difícil de imaginar até mesmo no futebol turco.

Técnico do Fenerbahçe pediu demissão para ‘não voltar mais’

A confusão começou na quinta-feira (10), depois do retorno do Fenerbahçe à principal competição de clubes da Europa após 18 anos.

Jogando em casa, a equipe empatou por 1 a 1 com a Roma. O resultado, porém, rapidamente deixou de ser o principal assunto da noite.

Kartal compareceu à entrevista coletiva e surpreendeu ao anunciar que estava deixando o comando do Fenerbahçe. Segundo o treinador, a decisão havia sido tomada junto de sua comissão técnica para “abrir caminho” para o clube.

O discurso tinha tom de despedida definitiva. Kartal afirmou que estava renunciando enquanto ainda havia tempo para ajudar o Fenerbahçe, seus jogadores e os futuros responsáveis pelo time.

E encerrou indicando que sairia sem intenção de retornar.

Parecia o fim de sua quarta passagem pelo comando do clube.

İsmail Kartal durante Fenerbahçe x Roma pela Champions League
Kartal anunciou sua saída do Fenerbahçe após o empate por 1 a 1 com a Roma pela Champions – Foto: Fenerbahçe/Divulgação

Durou apenas alguns minutos.

Presidente do Fenerbahçe simplesmente não aceitou a demissão

Aziz Yildirim conversou com a imprensa logo depois e apresentou uma solução pouco convencional para a crise: Kartal não iria embora porque ele não permitiria.

O presidente afirmou que ninguém na diretoria sabia previamente da decisão e garantiu que o treinador continuava no cargo.

Questionado sobre uma eventual concordância de Kartal em permanecer, Yildirim foi ainda mais enfático. Disse que não precisava dessa confirmação porque era seu superior e já havia determinado que ele continuaria trabalhando.

Aziz Yildirim fala à imprensa sobre permanência de İsmail Kartal no Fenerbahçe
Aziz Yildirim recusou a demissão de Kartal e afirmou que o treinador permaneceria no Fenerbahçe – Foto: Fenerbahçe/Divulgação

Em outra declaração, resumiu sua posição:

“Enquanto eu estiver aqui, İsmail Kartal será o treinador.”

Yildirim chegou a afirmar que Kartal não poderia sair antes dele.

Estava criado um cenário incomum: o treinador dizia que havia deixado o Fenerbahçe; o presidente dizia que não.

E havia um episódio mais grave por trás daquela explosão.

Garrafa na cabeça ajuda a explicar decisão de Kartal

Durante o duelo contra a Roma, Kartal foi atingido na cabeça por uma garrafa arremessada da arquibancada.

Yildirim revelou que havia conversado com o treinador depois da partida e que ele estava profundamente incomodado tanto com o episódio quanto com a pressão que vinha enfrentando.

A reação do Fenerbahçe ao responsável foi rápida.

O clube anunciou que identificou o torcedor que lançou a garrafa. O homem prestou depoimento às autoridades e recebeu proibição de acesso aos estádios, segundo comunicado divulgado posteriormente pelo Fenerbahçe.

O episódio ajuda a colocar a surpreendente entrevista coletiva em contexto. A renúncia não surgiu simplesmente por causa do empate contra a Roma, mas depois de uma noite em que a pressão esportiva ultrapassou os limites do campo.

Ainda assim, restava uma pergunta.

Afinal, quem mandava naquela demissão: Kartal ou Yildirim?

Fenerbahçe anuncia que treinador vai ficar

A sexta-feira trouxe mais incerteza antes de uma resposta oficial.

Depois de toda a confusão provocada pelas declarações da noite anterior, o Fenerbahçe decidiu tornar pública sua posição.

Em comunicado, o clube informou que İsmail Kartal permanecia no cargo e foi além: anunciou que o treinamento seguinte, marcado para as 11h30 deste sábado, seria comandado pelo próprio técnico.

A atividade daria início à sequência da preparação para o confronto com o Gaziantep FK.

Depois de uma demissão anunciada diante das câmeras e imediatamente rejeitada pelo presidente, o clube transformava o treinamento seguinte em uma espécie de confirmação prática do desfecho.

İsmail Kartal trabalha com jogador durante treino do Fenerbahçe neste sábado
Kartal comandou normalmente o treino deste sábado e confirmou na prática sua permanência no Fenerbahçe – Foto: Fenerbahçe/Divulgação

Kartal continuava sendo o técnico do Fenerbahçe.

De ídolo como jogador ao retorno à Champions

A relação ajuda a entender por que Yildirim adotou uma postura tão enfática.

Kartal não é apenas o atual treinador. Ele passou aproximadamente uma década defendendo o Fenerbahçe como jogador e construiu uma longa história no clube antes de iniciar sua trajetória à beira do campo.

A atual passagem é a quarta dele como treinador da equipe. Kartal retornou em junho e conseguiu levar o clube de volta à fase principal da Champions League pela primeira vez desde a temporada 2008/09.

A classificação encerrou uma espera de 18 anos e aumentou ainda mais as expectativas sobre uma equipe que terminou a Süper Lig na segunda colocação nas últimas cinco temporadas.

Talvez por isso a primeira noite europeia tenha produzido tamanha tensão.

O que deveria ser lembrado pelo retorno do Fenerbahçe à Champions terminou com uma garrafa arremessada, uma demissão pública e um presidente se recusando a perder o treinador.

Kartal disse que estava indo embora para não voltar.

O Fenerbahçe decidiu que não.

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