Futebol Internacional

Passagem conturbada de Messi faz Índia mudar esquema para receber o Brasil

Lionel Messi acena cercado por pessoas no gramado do Salt Lake Stadium, em Calcutá
Lionel Messi durante passagem pelo Salt Lake Stadium, em Calcutá, em dezembro de 2025 – Foto: Divulgação

Quando a Seleção Brasileira entrar no Salt Lake Stadium, em Calcutá, neste sábado (3), encontrará um esquema de segurança que carrega uma lembrança bastante recente: Lionel Messi.

Nove meses antes de Brasil x Índia, o mesmo estádio que receberá Vinicius Júnior, Endrick, Estêvão e companhia foi palco de uma visita do argentino que terminou em confusão, invasão do gramado, cadeiras arrancadas das arquibancadas, objetos arremessados e intervenção policial.

O episódio de dezembro de 2025 ainda está tão presente que virou referência para a preparação da passagem brasileira por Calcutá.

Segundo o Times of India, autoridades e organizadores adotaram medidas específicas para evitar que os problemas enfrentados com Messi se repitam durante a visita da Seleção. Entre elas está até uma mudança curiosa: não haverá agentes responsáveis pela segurança de VIPs dentro do campo, justamente um dos pontos problemáticos identificados no episódio anterior.

Brasil x Índia começa às 11h (de Brasília), neste sábado, no Salt Lake Stadium.

Veja onde assistir Índia x Brasil ao vivo, horário e prováveis escalações para o amistoso em Calcutá.

O que aconteceu com Messi em Calcutá?

A história que agora ronda a passagem brasileira começou em 13 de dezembro de 2025.

Messi desembarcou na Índia para a chamada GOAT India Tour, uma excursão que passaria por Calcutá, Hyderabad, Mumbai e Nova Délhi. A primeira grande parada era justamente o Salt Lake Stadium.

Milhares de torcedores compraram ingressos para ver de perto o argentino. Segundo a Reuters, as entradas começavam em 3.500 rúpias, valor considerável para o mercado local, e Messi deveria permanecer aproximadamente 45 minutos no estádio.

Não aconteceu como planejado. O argentino chegou ao gramado cercado por um grande número de pessoas, entre seguranças, autoridades, convidados e VIPs. Para parte considerável do público nas arquibancadas, enxergar Messi se tornou difícil.

A aparição durou cerca de 20 minutos. Quando o camisa 10 deixou o estádio antes do previsto, a frustração explodiu.

Torcedores arrancaram cadeiras, arremessaram objetos em direção ao campo, derrubaram estruturas e invadiram o gramado. Imagens do Salt Lake Stadium depredado correram o mundo.

Pessoas puxam rede de um dos gols no gramado do Salt Lake Stadium durante a confusão
Torcedores invadiram o gramado e depredaram estruturas do Salt Lake Stadium após a saída antecipada de Messi – Foto: Divulgação

O chefe da organização do evento, Satadru Dutta, foi detido. A chefe de governo de Bengala Ocidental, Mamata Banerjee, pediu desculpas publicamente a Messi e aos torcedores e determinou uma investigação sobre a organização da passagem do argentino.

Excesso de gente ao redor de Messi virou uma das lições

Não foi apenas a duração da aparição que entrou na discussão posterior.

A quantidade de pessoas autorizadas a permanecer perto de Messi tornou-se um dos pontos centrais da controvérsia.

O Indian Express relatou que o argentino chegou a ficar cercado por mais de uma centena de pessoas, incluindo integrantes da segurança e VIPs. A própria Federação Indiana de Futebol (AIFF) posteriormente precisou esclarecer que não havia organizado o evento, que era uma iniciativa privada.

Investigações e disputas sobre responsabilidades continuaram nos meses seguintes. Em junho de 2026, o estafe de Messi enviou uma manifestação à polícia de Calcutá atribuindo o colapso da operação a supostas violações dos protocolos previamente estabelecidos.

É justamente aí que a história de Messi encontra a Seleção Brasileira.

O que mudou para receber a Seleção Brasileira?

A polícia de Calcutá não quer repetir a experiência.

De acordo com o Times of India, uma das decisões para Brasil x Índia é impedir que a operação de proteção a convidados VIPs produza novamente uma concentração excessiva de pessoas dentro do campo.

Por isso, seguranças destinados especificamente aos VIPs não ficarão no gramado durante o evento. A mudança foi relacionada pelo jornal às lições tiradas da confusão na passagem de Messi.

Gabriel Bontempo, Rayan, Douglas Luiz e Marquinhos observam atividade durante treino da Seleção Brasileira em Calcutá
Gabriel Bontempo, Rayan, Douglas Luiz e Marquinhos durante treino da Seleção Brasileira em Calcutá – Foto: Rafael Ribeiro/CBF

A operação vai muito além disso. O comissariado de polícia de Bidhannagar realizou inspeções no Salt Lake Stadium e estabeleceu três etapas de controle para a entrada dos torcedores. Os ingressos digitais serão conferidos em diferentes pontos, e o público foi orientado a chegar com pelo menos duas horas de antecedência.

Há ainda uma extensa relação de objetos proibidos. Não poderão entrar no estádio itens como fogos de artifício, sinalizadores de fumaça, isqueiros, cigarros, lasers, garrafas cheias, bebidas alcoólicas, armas, banners e cartazes.

A movimentação da Seleção pela cidade também recebeu atenção especial das autoridades.

Brasil encontra estádio reformado nove meses depois

As diferenças não estarão apenas na segurança.

O Salt Lake Stadium passou por melhorias desde a visita de Messi. Segundo a cobertura local, os assentos agora têm numeração individual, houve intervenções de acessibilidade e foram preparados novos pontos de alimentação e circulação do público.

Na sexta-feira, véspera da partida, o estádio ainda tinha equipes trabalhando na limpeza e na instalação de peças relacionadas ao amistoso. À tarde, o Brasil realizou no local um treinamento leve comandado por Carlo Ancelotti.

O cenário é muito diferente daquele registrado nove meses atrás, quando cadeiras arrancadas acabaram espalhadas pelas arquibancadas e pelo entorno do campo.

Mas é justamente aquela imagem que explica parte do cuidado atual.

Segurança também acompanha estrelas brasileiras

A dimensão da operação não surpreende.

O Brasil chegou à Índia com alguns dos jogadores mais conhecidos do futebol mundial, e a expectativa em torno da visita cresceu durante a semana.

A imprensa local destacou nominalmente jogadores como Vinicius Júnior, Endrick, Estêvão, Bruno Guimarães e Marquinhos ao abordar a necessidade de um esquema rigoroso de segurança para a delegação.

Há uma diferença fundamental, porém, entre os dois eventos.

A passagem de Messi em 2025 era uma aparição promocional privada, e não uma partida oficial da seleção argentina. Brasil x Índia é um amistoso organizado dentro da estrutura das duas federações, com protocolos próprios de uma partida internacional.

Essa distinção é importante para não sugerir que os eventos são equivalentes.

O que os conecta é o estádio, a presença de estrelas mundiais e, principalmente, as lições de segurança deixadas por dezembro.

De Messi ao Brasil: Calcutá tenta transformar caos em aprendizado

A relação de Calcutá com as maiores estrelas do futebol é muito anterior ao episódio.

Pelé esteve na cidade em 1977 com o New York Cosmos. Diego Maradona também foi recebido por multidões. O próprio Messi já havia jogado no Salt Lake Stadium em 2011, quando a Argentina enfrentou a Venezuela em amistoso.

Vista panorâmica do gramado e das arquibancadas do Salt Lake Stadium, em Calcutá
Salt Lake Stadium durante a Copa do Mundo Sub-17 de 2017; estádio de Calcutá recebe neste sábado o primeiro Brasil x Índia da história – Foto: Buda Mendes/FIFA

A segunda grande visita do argentino à cidade, porém, deixou uma memória completamente diferente.

O episódio de 2025 produziu investigação, prisões, disputas sobre responsabilidades e uma revisão sobre como Calcutá deve organizar eventos envolvendo astros internacionais. Nove meses depois, algumas dessas lições aparecem concretamente no planejamento para receber a Seleção Brasileira.

Desta vez, a atração não é um único jogador.

É a pentacampeã mundial.

E, antes mesmo de Brasil x Índia começar, o fantasma daquela passagem de Messi já mudou a maneira como Calcutá se preparou para receber suas próximas estrelas.

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