Futebol Internacional

Barcelona quebra recorde de 126 anos com escalação de Flick

Time titular do Barcelona posa antes da partida contra o Athletic de Bilbao
Barcelona escalou contra o Athletic o time titular mais jovem de sua história atuando em casa, com média de 23,18 anos – Foto: Marc Graupera – FC Barcelona

O Barcelona de Hansi Flick está ficando cada vez mais jovem. Na vitória sobre o Athletic de Bilbao, o clube catalão estabeleceu uma marca inédita em seus 126 anos de história ao escalar o time titular de menor média de idade em uma partida disputada em casa: 23,18 anos.

O recorde ajuda a explicar uma transformação que vai além da idade. Flick começa a temporada apostando em velocidade, pressão e mobilidade, justamente enquanto o Barcelona tenta solucionar uma das maiores dúvidas deixadas pelo mercado: como manter a produção ofensiva depois de perder seus principais centroavantes.

E a resposta inicial tem surpreendido. Mesmo sem um camisa 9 clássico, o Barça continua marcando gols e passou a enxergar a contratação de um centroavante com menos urgência. A prioridade existia no início da janela, mas o rendimento das primeiras partidas deu ao clube margem para esperar.

Barcelona teve quatro jogadores de 19 anos entre os titulares

Raphinha e Anthony Gordon deixam o gramado após partida do Barcelona
Raphinha, aos 29 anos, foi o jogador mais velho do jovem time titular escalado pelo Barcelona – Foto: Marc Graupera – FC Barcelona

A escalação escolhida por Flick contra o Athletic de Bilbao ajuda a dimensionar a renovação.

Quatro titulares pertencem à geração de 2007 e têm somente 19 anos: Xavi Espart, Marc Bernal, Pau Cubarsí e Lamine Yamal. Raphinha, aos 29, era o jogador mais velho da equipe inicial.

Entre eles estavam nomes como Pedri, Fermín López, Gerard Martín, Joan García, Eric García e Anthony Gordon, todos ainda distantes dos 30 anos.

Nenhum titular havia chegado aos 30.

É verdade que Flick tinha experiência no banco. João Cancelo, de 32 anos, e Rodri, de 30, começaram entre os reservas e devem aparecer diversas vezes no time titular durante a temporada. Portanto, os 23,18 anos não necessariamente serão a média habitual do Barcelona.

Ainda assim, o recorde é significativo.

Segundo o levantamento destacado pela imprensa espanhola, nunca antes o Barcelona havia começado uma partida em seu estádio com uma escalação tão jovem.

A juventude também faz parte do plano de Flick

Lamine Yamal e Eric García durante partida do Barcelona
Lamine Yamal é um dos símbolos da geração que reduziu ainda mais a média de idade do Barcelona – Foto: Dani Aznar – FC Barcelona

Não se trata apenas de colocar jovens porque eles estão disponíveis.

A composição do elenco combina com a maneira como Flick pretende recuperar algumas características do Barcelona de sua primeira temporada no clube: pressão agressiva, intensidade sem a bola e velocidade quando recupera a posse.

O próprio Mundo Deportivo resumiu a ideia ao destacar neste sábado um Barça baseado em velocidade, pressão e disciplina.

Ter um elenco jovem facilita essa proposta.

Cubarsí já deixou de ser tratado como promessa. O mesmo vale para Lamine Yamal. Pedri está em plena maturidade esportiva, enquanto Bernal e Espart aumentam a quantidade de jogadores formados no clube capazes de sustentar o ritmo desejado pelo treinador.

Pedri e Gerard Martín comemoram juntos durante partida do Barcelona
Pedri e Gerard Martín representam diferentes etapas da renovação de um Barcelona cada vez mais jovem – Foto: Dani Aznar – FC Barcelona

Há ainda uma renovação vinda do mercado.

Anthony Gordon e Karim Adeyemi acrescentaram velocidade às opções de ataque, enquanto Rodri e Cancelo representam justamente o contraponto: jogadores mais experientes em um elenco que não pretende ser jovem apenas por ser jovem.

E onde entra o camisa 9?

Aqui está a segunda parte da transformação.

No planejamento inicial para 2026/27, contratar um centroavante era uma das prioridades de Flick. A saída de Robert Lewandowski deixou uma lacuna evidente e a situação ganhou ainda mais peso com as mudanças realizadas no ataque.

O Mundo Deportivo chegou a destacar a contradição do mercado do Barça: o treinador queria prioritariamente um 9, mas o clube acabou reforçando principalmente as pontas.

Julián Álvarez tornou-se o grande nome associado à posição. Só que o cenário mudou durante agosto.

Barça descobriu que consegue fazer gols sem centroavante

A estreia na La Liga forneceu a primeira grande evidência.

O Barcelona goleou o Elche por 5 a 0, mesmo sem um centroavante de referência. Raphinha, Fermín e Adeyemi estiveram entre os jogadores que encontraram o gol, e a movimentação do ataque mostrou a Flick outras possibilidades.

Raphinha pode aparecer centralizado. Fermín oferece infiltração. Dani Olmo também consegue ocupar espaços por dentro. Lamine Yamal desequilibra partindo da direita, enquanto Gordon e Adeyemi aumentam as combinações possíveis pelos lados.

Em vez de concentrar o ataque ao redor de um jogador fixo na área, Flick pode distribuir os gols.

Não significa que um 9 tenha deixado de ser necessário.

Significa que ele deixou de ser uma emergência.

Flick já disse que ausência de um 9 não o preocupa

Hansi Flick acompanha partida do Barcelona à beira do gramado
Hansi Flick aposta em um Barcelona jovem, veloz e com maior mobilidade no ataque – Foto: Marc Graupera – FC Barcelona

O próprio treinador deixou essa mudança de perspectiva bastante clara antes do início da La Liga.

Questionado sobre a ausência de um centroavante, Flick afirmou que a situação não o preocupava e ressaltou que possui “muitas opções” no elenco.

É uma diferença importante.

Flick e Deco continuam considerando um centroavante útil, sobretudo pensando nos jogos de Champions League em que o Barcelona poderá precisar de uma referência dentro da área. A imprensa espanhola sustenta que o desejo de reforçar a posição não desapareceu.

Mas o Barça não precisa mais contratar por contratar.

Se não aparecer a oportunidade certa nos últimos dias da janela, pode seguir com as alternativas atuais e reavaliar o mercado posteriormente.

Recorde mostra um Barcelona diferente

É justamente aí que as duas histórias se encontram.

Um Barcelona que coloca quatro jogadores de 19 anos entre os titulares também é um Barcelona menos preso às estruturas tradicionais de elenco.

O clube que entrou no mercado procurando um sucessor para Lewandowski descobriu, ao menos neste início de temporada, que talvez consiga ganhar partidas importantes sem necessariamente substituir o polonês por outro jogador de características semelhantes.

Flick possui pontas rápidos, meias capazes de pisar na área e jogadores que podem trocar de posição durante uma mesma partida.

Contra o Athletic de Bilbao, tudo isso apareceu dentro do time mais jovem que o Barcelona já escalou em casa.

A média de 23,18 anos é o recorde.

Mas talvez a informação mais relevante para o restante da temporada seja o que existe por trás dela: Flick está construindo um Barcelona mais jovem, mais móvel e, pelo menos por enquanto, menos dependente de um camisa 9.

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