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9 dos 10 jogadores mais caros da janela foram para a Premier League

Enzo Fernández, Sandro Tonali e Bruno Guimarães em montagem com as camisas de Manchester City, Tottenham e Arsenal
Enzo Fernández, Sandro Tonali e Bruno Guimarães estão entre os reforços que fizeram a Premier League dominar as maiores transferências da janela de 2026 – Foto: Montagem/Reprodução

A janela de transferências das principais ligas europeias chegou ao fim nesta terça-feira (1º) e deixou um retrato claro sobre a nova distribuição de forças no mercado: nove dos dez jogadores envolvidos nas maiores contratações do verão tiveram como destino a Premier League.

O domínio inglês foi quase absoluto. Manchester City, Chelsea, Liverpool, Tottenham e Arsenal aparecem entre os compradores do top 10, enquanto o Real Madrid foi o único clube de fora da Inglaterra capaz de furar esse bloqueio, ao contratar Yan Diomande junto ao RB Leipzig.

Confira o ranking completo das 10 contratações mais caras da janela europeia.

Mas a concentração de dinheiro na Premier League não é a única curiosidade deixada pela janela. Entre os negócios mais caros, outro padrão chama atenção: os meio-campistas foram muito mais valorizados que os centroavantes. Não há sequer um camisa 9 entre as dez maiores operações.

Premier League colocou nove jogadores no top 10

O levantamento das maiores transferências ajuda a dimensionar o poder econômico alcançado pelos clubes ingleses.

Enzo Fernández trocou o Chelsea pelo Manchester City por 145 milhões de euros e liderou o ranking. Morgan Rogers saiu do Aston Villa para o Chelsea por 138 milhões de euros, enquanto Elliot Anderson também reforçou o City após uma negociação de 135 milhões de euros.

Depois aparecem Yan Diomande, Bradley Barcola, Sandro Tonali, Mateus Fernandes, Ayyoub Bouaddi, Savinho e Bruno Guimarães. O ranking publicado pelo MQJ considera os valores em euros das operações concluídas na janela.

Dos dez nomes, somente Diomande não desembarcou na Inglaterra.

Yan Diomande recebendo a camisa 25 do Real Madrid das mãos do presidente Florentino Pérez na apresentação do jogador marfinense no clube merengue
Yan Diomande, contratado pelo Real Madrid, foi o único integrante do top 10 que não teve a Premier League como destino – Foto: Víctor Carretero/Real Madrid

O marfinense deixou o RB Leipzig pelo Real Madrid por 125 milhões de euros. Barcelona, Bayern de Munique, PSG, Juventus, Milan e Inter de Milão ficaram completamente fora do top 10.

A distância entre a Premier League e as demais grandes ligas também aparece nos gastos totais. Os clubes ingleses investiram aproximadamente 3,46 bilhões de libras durante a janela, estabelecendo um novo recorde.

Premier League criou seu próprio mercado de milhões

Existe um detalhe ainda mais revelador escondido no ranking.

Dos dez maiores negócios, sete foram realizados diretamente entre clubes da própria Premier League.

Enzo Fernández foi do Chelsea para o Manchester City. Morgan Rogers deixou o Aston Villa pelo Chelsea. Elliot Anderson trocou o Nottingham Forest pelo City. Sandro Tonali e Bruno Guimarães saíram do Newcastle para Tottenham e Arsenal, respectivamente. Mateus Fernandes deixou o West Ham pelo Tottenham, que também contratou Savinho junto ao Manchester City.

Portanto, a Inglaterra não apenas importou os maiores talentos da Europa.

A própria Premier League se transformou em um mercado premium.

Essa tendência aparece também fora do top 10. Segundo levantamento divulgado após o fechamento da janela, 38% dos negócios realizados pelos clubes da primeira divisão inglesa aconteceram entre equipes da própria competição.

O dinheiro passou a circular em escala cada vez maior dentro do mesmo campeonato.

Meio-campistas dominaram as maiores transferências

Talvez o dado mais curioso da janela esteja nas posições dos jogadores.

Entre os dez negócios mais caros estão Enzo Fernández, Elliot Anderson, Sandro Tonali, Mateus Fernandes, Ayyoub Bouaddi e Bruno Guimarães, todos jogadores de meio-campo.

Morgan Rogers atua mais adiantado e pode ser classificado como meia-atacante, o que elevaria para sete a quantidade de jogadores ligados ao setor.

Bradley Barcola, Yan Diomande e Savinho representam os pontas.

Não há goleiros.

Não há laterais.

Não há zagueiros.

E, sobretudo, não há nenhum centroavante entre os dez jogadores mais caros da janela europeia.

Bruno Guimarães em ação com a camisa do Arsenal após deixar o Newcastle
Bruno Guimarães foi um dos meio-campistas que protagonizaram as maiores transferências da janela europeia de 2026 – Foto: Arsenal/Divulgação

O mercado mais caro não foi dominado pelos tradicionais goleadores, mas por jogadores capazes de construir, acelerar e controlar o jogo no meio-campo.

Manchester City levou essa tendência ao extremo

Nenhum clube simbolizou tanto essa valorização quanto o Manchester City.

Os Citizens contrataram três dos meio-campistas presentes entre as maiores transferências: Enzo Fernández, Elliot Anderson e Ayyoub Bouaddi.

Somente o trio custou 375 milhões de euros, cerca de R$ 2,2 bilhões., aos cofres do Manchester City.

O investimento faz parte de uma reformulação profunda do setor após as saídas de Rodri, Tijjani Reijnders, Nico González e Bernardo Silva.

No total da janela, o City gastou aproximadamente 458 milhões de libras, mais do que qualquer outro clube da Premier League. Chelsea, com cerca de 349 milhões de libras, e Tottenham, com 303 milhões, aparecem em seguida.

Enzo Fernández virou símbolo da janela

O maior negócio do mercado aconteceu justamente no último dia.

O Manchester City pagou 125 milhões de libras ao Chelsea por Enzo Fernández, valor equivalente a aproximadamente 145 milhões de euros, e assinou contrato de cinco temporadas com o argentino.

A transferência também colocou o argentino em uma lista histórica.

Segundo o levantamento publicado pelo MQJ com dados do Transfermarkt, Enzo Fernández passou a ocupar a quarta colocação entre as contratações mais caras da história do futebol, atrás apenas de Neymar, Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé.

Enzo Fernández segura a camisa do Manchester City durante sua apresentação como reforço do clube
Enzo Fernández deixou o Chelsea pelo Manchester City na maior transferência da janela europeia de 2026 – Foto: Manchester City/Divulgação

A operação é ainda mais curiosa porque Enzo tornou-se o primeiro jogador da história negociado duas vezes por valores superiores a 100 milhões de libras. Antes do City, ele já havia protagonizado uma transferência milionária do Benfica para o Chelsea.

Tottenham também reconstruiu o meio-campo

O Manchester City não esteve sozinho nessa corrida.

O Tottenham aparece três vezes no top 10.

O clube contratou Sandro Tonali, do Newcastle, por até 108 milhões de euros; Mateus Fernandes, do West Ham, por 99 milhões; e ainda levou Savinho, ex-Manchester City, por 87,7 milhões.

Dois dos três maiores investimentos foram destinados justamente ao meio-campo.

É mais uma evidência de uma tendência que atravessou diferentes projetos esportivos: clubes dispostos a gastar valores normalmente reservados a grandes atacantes para fortalecer a região central do campo.

Bruno Guimarães fecha top 10 e reforça valorização dos meias

O último nome do ranking também ajuda a sustentar essa leitura.

O Arsenal pagou aproximadamente 87,5 milhões de euros para tirar Bruno Guimarães do Newcastle.

A contratação do brasileiro recebeu destaque não apenas pelo valor. Em uma avaliação publicada pelo “The Athletic” sobre os 154 reforços da Premier League, Bruno Guimarães ficou na segunda posição entre as melhores contratações da janela, atrás apenas de Dibu Martínez, que trocou o Aston Villa pelo Chelsea.

Bruno junta-se a Declan Rice e Martin Ødegaard e amplia ainda mais a quantidade de meio-campistas de alto valor concentrados nos principais candidatos ao título inglês.

Real Madrid foi o único a furar o domínio inglês

Se a Premier League teve nove representantes entre os dez destinos mais caros, coube ao Real Madrid impedir uma varrida completa.

O clube espanhol pagou 125 milhões de euros ao RB Leipzig por Yan Diomande, quarto colocado no ranking elaborado pelo MQJ.

A presença isolada do Real chama ainda mais atenção quando observada ao lado das ausências.

Nenhum reforço de Barcelona, Bayern de Munique, PSG, Juventus, Inter ou Milan alcançou os dez maiores valores da janela.

Em outras palavras, entre os gigantes das outras quatro grandes ligas europeias, somente o Real Madrid conseguiu competir financeiramente no mesmo patamar dos negócios que dominaram a Inglaterra.

O que a janela de 2026 revela sobre o futebol europeu

Os números mostram que a janela encerrada em setembro foi mais do que simplesmente um período de transferências com cifras recordes.

Ela revelou três movimentos importantes.

A Premier League aumentou ainda mais sua vantagem financeira sobre os principais campeonatos europeus. Ao mesmo tempo, parte considerável desse dinheiro deixou de ser destinada apenas a jogadores vindos do exterior e passou a circular entre os próprios clubes ingleses.

E existe ainda uma transformação no perfil dos atletas mais valorizados.

Seis das dez maiores transferências envolveram meio-campistas — ou sete, se Morgan Rogers entrar na conta como meia-atacante. Nenhum centroavante apareceu no top 10.

O contraste resume bem o mercado de 2026: a Inglaterra concentrou o dinheiro, enquanto os clubes concentraram os maiores investimentos no coração do campo.

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