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A paralisação de diversas competições e a manifestação pública de jogadores e treinadores sobre os efeitos da pandemia no esporte reflete a disparidade entre os altos salários de craques e as dificuldades da maioria de jogadores de futebol no Brasil. Quem vive situação financeira confortável, na maioria das vezes, defende a interrupção das competições por conta dos riscos de contaminação do Coronavírus, que geram recordes diários de mortes. Cientes de que os riscos são altos, os atletas que formam a maioria da classe, com salários muitas vezes que sequer batem o teto do mínimo, olham a paralisação como um risco de passar fome.

Lisca desabafou por conta da pandemia. Mas dividiu opiniões (Foto: Mourão Panda/América-MG)

No início do mês ganhou a manchete dos jornais e dos noticiários esportivos o desabafo do técnico Lisca, do América-MG. Ele implorou para a CBF paralisar a Copa do Brasil.

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– Nosso país parou, gente. Não tem lugar nos hospitais, eu estou perdendo amigos, amigos treinadores. É hora de segurar a vida. Aqui no Mineiro tudo bem, é mais perto, mas como vão levar uma delegação do norte para o Sul. Presidente Caboclo, pelo amor de Deus, Juninho Paulista, Tite, Kéber Xavier, autoridades. Nós estamos apavorados – implorou Lisca.

Medo ou hipocrisia?

Rogério Caboclo, presidente da CBF, manteve a Copa do Brasil (Foto: CBF)

Poucos dias depois a CBF anunciou que manteria a competição, mesmo com alguns clubes não tendo onde jogar por proibição das forças governamentais. Mas a maior resistência ao discurso de Lisca veio de jogadores que não ganham nem um décimo do que recebe por mês o treinador do Coelho, cada vez mais valorizado.

A revolta pelo desabafo de Lisca virou briga comprada por alguns atletas. O volante Richarlison, que fez história no Atlético-MG e no São Paulo, saiu em defesa dos que ganham poucos. O jogador amarga uma realidade financeira diferente da que viveu no passado pois atua pelo America-RJ, que sequer conseguiu vaga no Campeonato Carioca.

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O volante usou as redes sociais chamando o ato de Lisca de “hipocrisia encapuzada de heroísmo”. Ele postou: “Até quando isso? Lisca quer que pare o futebol? Ok, tudo bem. Eu até concordaria com isso, se não fosse o Lisca falando. Lisca, no dia 19 de novembro de 2020, comemorou sua vitória diante do Internacional pela Copa do Brasil que ele tanto está abominando hoje, nos braços da galera. Digitem no Google: “Lisca doido nos braços da galera” e verão o festival de notícias e de descumprimento das medidas contra a pandemia Covid-19”.

Goleiro do Sergipe desabafa

Marcão lembra que jogadores têm dificuldades. Assim aumentou polêmica (Foto: CSS/Divulgação)

No meio dessa disputa os atletas que não tiveram as condições de Richarlison de fazer o pé de meia ou que não sonham com o salário atual de Lisca praticamente imploram para que os torneios não sejam paralisados.

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– Se as competições paralisarem vários jogadores vão passar por dificuldades que ninguém imagina. A maioria ganha mil reais por mês e não tem de onde tirar o sustento. Mesmo sem público pelo menos temos salário. Se o futebol parar e os clubes não conseguirem honrar os compromissos muita gente vai sofrer. Sabemos que o momento é crítico, não desmerecemos o sofrimento de quem está perdendo os parentes. Mas estou apenas mostrando uma realidade. A maioria dos jogadores ganha salário mínimo e se parar não vai ter de onde ganhar dinheiro. Quem tem um salário alto, está na primeira ou segunda divisão e recebe em dia é muito fácil falar para parar o campeonato. – disse o goleiro Marcão, do Sergipe, em um desabado recente ao canal “SporTV”.

Futebol ajudando na pandemia?

Renato Gaúcho vê futebol como algo positivo na pandemia (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

Há também quem tenha altos salários e mesmo assim defenda a permanência do futebol. Neste caso por uma questão social.

– Estamos fazendo um favor se o futebol permanecer na ativa, pois essa é uma forma de se prender as pessoas em casa. Além disso as pessoas ficam em casa para ver os jogos – disse Renato Gaúcho, técnico do Grêmio.

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Essa semana algumas federações interromperam as suas atividades. São estados que vivem situações críticas. Mas isso não acaba a discussão sobre como resolver o drama de quem ganha o salário mínio. ou seja, a maioria dos jogadores de futebol no Brasil.