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O afastamento de Rogério Caboclo do comando da CBF é um marco. Mesmo volta e meia a entidade ganhe as manchetes com seus dirigentes sob alguma ótica de suspeição, tamanha a representatividade do futebol no país. No entanto, desta vez a situação envolve ingredientes a mais, a começar pela questão da Copa América, passando pelo confronto entre o presidente e o técnico Tite. O caso do suposto assédio a uma funcionária foi a gota d’água, mexendo inclusive com patrocinadores da entidade.

Rogério Caboclo foi afastado do comando da CBF, mas a história ainda não acabou - Foto: Divulgação Rogério Caboclo foi afastado do comando da CBF, mas a história ainda não acabou – Foto: Divulgação

Aí o cenário entra em um terreno lodoso, numa areia movediça na qual Caboclo pode afundar definitivamente. A pressão das empresas que colocam dinheiro na casa foi fundamental para a decisão do Conselho de Ética da CBF. Assim, o presidente está afastado por 30 dias.

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Com isso, pelo menos por enquanto Caboclo perdeu a queda de braço com Tite, que tem respaldo dos jogadores estrangeiros da Seleção Brasileira, quanto à realização da Copa América no Brasil. O pano de fundo é a pandemia, mas o que existe na verdade é uma disputa política que envolve, inclusive, o presidente da República, Jair Bolsonaro. Caboclo foi o garoto-propaganda, o principal conselheiro de Bolsonaro na decisão de trazer a competição para o Brasil. Colômbia e Argentina desistiram de sedia o torneio, motivados pela crise da pandemia de Covid-19.

Tite Tite entrou em choque com o presidente, mas tem o apoio dos jogadores | Foto: Lucas Figueiredo / CBF / Divulgação

Renato Gaúcho arranhado

Nos bastidores, corria inclusive o nome de Renato Gaúcho, ex-técnico do Grêmio, atualmente sem clube, para ocupar a vaga que ainda pertence a Tite. De acordo com o jornalista André Rizek, do Sportv, Caboclo chegou a prometer a Jair Bolsonaro que a seleção teria novo técnico após o jogo contra o Paraguai. Válido pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo, o jogo acontece nesta terça-feira (8). A suposta manobra de Caboclo repercutiu na Europa, noticiada pelo site espanhol AS.

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Renato Gaúcho não se manifestou até o momento. Entretanto, com o afastamento do presidente, ele sai arranhado. E fica uma questão no ar: mesmo que Caboclo fosse mantido, como seria a relação de Renato Gaúcho com o elenco principal, na maior parte com o mesmo posicionamento de Tite em relação à Copa América?

Renato Gaúcho escrevendo mais um capítulo de sua história no Grêmio (Foto: Lucas Uebel/Grêmio) Renato Gaúcho ainda não se manifestou, mas teve seu nome envolvido na crise (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

Justamente após o jogo desta terça-feira, os jogadores da Seleção Brasileira devem anunciar oficialmente um posicionamento sobre a Copa América. Isso deve oficializar a posição dos atletas a respeito da competição, além do apoio a Tite e comissão técnica.

Assédio

Por outra via, Tite ganhou sobrevida com a denúncia de assédio feita por uma funcionária da CBF contra Caboclo. Nesse caso, a questão atingiu um ponto mais delicado, que envolve patrocinadores. É um assunto de tal modo que nos bastidores já consideram difícil o retorno de Caboclo ao comando da entidade maior do futebol. Nesta segunda-feira (7), uma reunião deve ditar os rumos da entidade em relação a seu presidente afastado.

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A expectativa para a semana que está para começar, no entanto, está em torno de uma gravação que deve ser divulgada nos próximos dias. Nela, a tentativa de assédio ficaria comprovada, o que seria a pá de cal nas esperanças de defesa para Caboclo. De fato, se essa expectativa se confirmar, Caboclo estará totalmente isolado, não apenas dos jogadores e comissão técnica da Seleção, mas também dos demais dirigentes da CBF. Sem falar naquele que comandam as federações por todo país.

Antônio Carlos Nunes, vice-presidente mais velho da CBF, assume o comando no período do afastamento. O tempo – breve – dirá o que vem pela frente para a entidade e seu presidente, embora afastado.

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