
Quando Gabriel Martinelli marcou aos 50 minutos do segundo tempo e garantiu a vitória do Brasil por 2 a 1 sobre o Japão, pelos 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026, muita gente teve a sensação de já ter visto aquele roteiro antes.
Não foi apenas pela emoção do gol salvador. Foi pela forma como a equipe de Carlo Ancelotti se recusou a aceitar a eliminação, manteve a calma, aumentou a pressão até o fim e encontrou a classificação quando o relógio parecia ser o maior adversário.
A comparação não demorou a aparecer. Agências internacionais, como a Reuters, destacaram que o Brasil mostrou justamente uma das principais características dos times comandados por Ancelotti no Real Madrid: a capacidade quase inexplicável de sobreviver quando tudo parecia perdido.
A “mística” que acompanhou Ancelotti do Real Madrid para a Seleção
Durante duas passagens pelo Real Madrid, Carlo Ancelotti conquistou cinco títulos da Champions League como treinador, recorde absoluto da competição, e ficou conhecido por comandar algumas das viradas mais memoráveis da história do torneio.
Mais do que qualidade técnica, suas equipes desenvolveram uma identidade:
- nunca abandonar o jogo;
- controlar a pressão nos momentos decisivos;
- acreditar até o último segundo;
- encontrar soluções mesmo quando o cenário parecia irreversível.
Foi exatamente esse roteiro que apareceu diante do Japão.
Depois de sair atrás do placar, o Brasil empatou com Casemiro e só encontrou a classificação nos acréscimos, quando Bruno Guimarães recuperou a bola e serviu Gabriel Martinelli para marcar o gol da vitória.
Real Madrid x Atlético de Madrid (Final da Champions 2014): o gol de Sergio Ramos aos 93 minutos
Se existe um jogo que definiu a carreira de Ancelotti, provavelmente foi a decisão da Liga dos Campeões de 2014.
O Atlético de Madrid vencia por 1 a 0 até os acréscimos e estava a poucos segundos do primeiro título europeu.
Foi então que Sergio Ramos apareceu de cabeça aos 48 minutos do segundo tempo para empatar a decisão.
Na prorrogação, o Real atropelou o rival e venceu por 4 a 1, conquistando “La Décima“, a décima Champions da história do clube.
O gol de Martinelli contra o Japão lembrou justamente aquele sentimento: sobreviver quando parecia impossível.

PSG 1 x 3 Real Madrid (Champions 2021/22): Benzema muda tudo em 17 minutos
Nas oitavas de final da Champions de 2022, o Real Madrid parecia eliminado.
Depois de perder o jogo de ida por 1 a 0, ainda viu Kylian Mbappé abrir o placar para o Paris Saint-Germain no Santiago Bernabéu.
O agregado apontava 2 a 0 para os franceses.
Então Karim Benzema marcou três vezes em apenas 17 minutos e virou completamente o confronto, classificando o Real Madrid para as quartas.
Foi uma das reações mais impressionantes da história recente da competição.
Chelsea 2 x 3 Real Madrid (quartas de final de 2022): Rodrygo salva no fim
Outro roteiro inacreditável aconteceu poucos dias depois.
Mesmo após vencer por 3 a 1 em Londres, o Real perdeu por 3 a 0 no Bernabéu e estava sendo eliminado.
Quando restavam apenas alguns minutos, Rodrygo marcou o gol que levou a decisão para a prorrogação.
Já no tempo extra, Benzema fez o gol da classificação.
Era mais uma prova de que os times de Ancelotti nunca desistiam.
Real Madrid 3 x 1 Manchester City (semifinal de 2022): dois gols em menos de dois minutos
Talvez nenhuma virada represente melhor a chamada “mística” merengue.
O Manchester City vencia por 1 a 0 até os 44 minutos do segundo tempo.
Naquele momento, precisava apenas administrar os instantes finais para chegar à decisão.
Mas Rodrygo marcou aos 45.
Logo depois, aos 46, fez novamente.
Na prorrogação, Benzema converteu um pênalti e colocou o Real Madrid em mais uma final.
Até hoje, a classificação é considerada uma das maiores reações da história da Champions League.

Manchester City x Real Madrid (quartas de 2024): resistência até os pênaltis
Nem todas as classificações históricas vieram através de viradas no placar.
Em 2024, diante do então campeão Manchester City, o Real Madrid suportou enorme pressão durante praticamente todo o jogo em Manchester.
Depois do empate no agregado, a equipe levou a decisão para os pênaltis e eliminou os ingleses com uma atuação marcada pela disciplina defensiva, sangue frio e enorme resistência emocional.
Brasil x Japão mostrou o “DNA Ancelotti”
A atuação brasileira não foi perfeita.
O Japão foi superior durante boa parte do primeiro tempo, abriu o placar e colocou a seleção sob enorme pressão.
Mas o comportamento da equipe mudou após o intervalo.
O Brasil aumentou a intensidade, passou a ocupar mais a área adversária, empatou com Casemiro e continuou pressionando sem entrar em desespero.
A recompensa veio apenas aos 95 minutos, quando Martinelli aproveitou a assistência de Bruno Guimarães para decretar a classificação.

A imprensa internacional enxergou um “Real Madrid de seleções”
A comparação não ficou restrita aos torcedores.
A Reuters afirmou que a classificação brasileira teve todos os elementos característicos dos grandes times dirigidos por Ancelotti: sofrimento, calma, resistência e uma crença permanente de que o jogo só termina no apito final.
O jornal espanhol AS foi além e classificou o Brasil como “o Real Madrid do Mundial”, justamente pela capacidade de encontrar soluções quando parecia estar à beira da eliminação.

Ainda é cedo para afirmar se essa característica acompanhará a Seleção até o fim da Copa do Mundo.
Mas a vitória dramática sobre o Japão mostrou que Carlo Ancelotti já conseguiu transferir para o Brasil uma das maiores marcas de sua carreira: fazer seus times acreditarem até o último segundo.
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